sábado, 14 de fevereiro de 2009

DÚVIDAS




Rosas rubras de Maio
ou caules em rebentação?

Searas embrionárias
ou espigas e pão?

Sol e luz
ou escuro nas mãos?

Giestas, cardos, estevas
ou aves de migração?

Sol e lua no céu
ou astros caídos no chão?

Granito e basalto
ou areias varridas pelo suão?

Razão presente
ou poligamia de coração?

Dúvidas no fio da navalha.
Urge arredondar...
por excesso
ou por defeito?


MV


17 comentários:

Carlos Barros disse...

Querida Marta,
Seus poemas são sempre belos bem construídos, e na minha inquietação fico aqui a refleti-los. Aproveito para te repassar um selo que me foi atribuído gentilmente pela querida Serena do blog (Alma Poeta) e (Pelos Caminhos da Vida) no qual te dedico com grande prazer!

Deixo um terno abraço e que a inspiração sempre continue a pairar nesse excelente recanto.

Ps. O selo encontra-se na barra lateral do blog.

Beijo.

MPereira disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
f@ disse...

Olá Marta,
Antes de mais obrigada pelo prémio... que guardo com mto carinho no meu cantinho especial...

Que as dúvidas são sempre a razão de ser do vermelho das rosas... mtas vezes a ausência de espinhos...
... o sol no escuro, as asas das aves, ... a lua e o céu no coração palpitante... arredonda conforme o caso...

beijinhos das nuvens

manzas disse...

O sol acende a tímida luz do dia
E embarco na viagem que nunca faço…
Abraço manhãs no ceio da chuva fria
Desbravo os ventos em trilhos do acaso

Um resto de um bom fim-de-semana
Com muita paz, saúde e muito amor…

O eterno abraço…

-MANZAS-

poematar disse...

Sim, "Dúvidas no fio da navalha...". Belo poema, interrogações profundas que entram na mente e no corpo fazendo o pensamento partir em deriva. Tudo de bom.

ParadoXos disse...

este é mais um dos teus documentos poéticos - espécie de tomada de fôlego verbal e humano - de uma beleza sem DÚVIDA singular!!

- és sempre um voo literário e eu provo e aprovo - muito obrigado por merecer o teu carinho embrulhado num prémio - sinónimo das nossas partilhas!

beijão grato!

Sonia Schmorantz disse...

Quantas duvidas...mas uma eu não tenho, rsss....escreves maravilhosamente bem.
beijo e bom domingo

Mari disse...

Marta,
Cada vez mais aprecio os seus textos.
Parabéns!

BC disse...

Poucas palavras que dizem muito, e nos fazem pensar.
Mais um apontamento poético com a qualidade a que nos habituaste.
BEIJOCAS
Isabel

JC disse...

Bonito poema, com questões que nos surgem todos os dias e para as quais muitas vezes não temos resposta.
Voltarei
Beijinhos

José Manuel Brazão disse...

Eu fico sempre a reflectir com os teus poemas!
Além da escrita graciosa usas a tal "provocação" reflexiva!

É ENCANTADOR LER A TUA POESIA!

Beijos com carinho

UMA PAGINA PARA DOIS disse...

Ah! Tempo!
Nunca quis voltar em ti.
Apenas espero que me devolvas
os sentimentos que vivi.
Não deixes que meu sorriso
se perca pelo cansaço
e que minha voz
se cale por um fracasso.
Não deixes que meus caminhos
se desviem da meta
nem que os percalços
sejam maiores que minha força
para que eu siga esta reta.

Passei neste lindo espaço para te desejar uma linda semana
Abraços

Artista Maldito disse...

Olá Marta

Em tempo de dúvidas também se constrói a fé. No fio da navalha nos coloca a voz do poema, neste constante processo de construção da vida.

Um poema de densidades temporais.

Beijinhos
Isabel

Tentativas Poemáticas disse...

Querida amiga Marta
Também tenho as minhas dúvidas, porém, - expostas hoje em publicação - não o sei fazer da forma poética e transcendente como só a Marta o faz.
Porque afinal a Marta é uma grande e sensível poetisa.
Beijinhos
António

BC disse...

Olá Martita, hoje vim dizer-te para passares pelo Sletras, caso queiras, tens lá um desafio engraçado.
Beijos
Isabel

Vergilio Torres disse...

Esta dúvida está longe da fácil resolução. E é que está mesmo...

Sem dúvida que responder, tão simplesmente, por excesso ou por defeito é tão fácil como pertinente. A escolha ideal é o problema que tão bem subinha passo-a-passo na propensa dúvida.

Urge sim perguntar, por quê escolher entre o que nada parece e o todo que se apresenta, ainda que em abundância, também apresentado por ausência...

Antes de responder, por excesso ou por defeito, reparo na magia da escrita com que foram esgrimadas tão breve e fortemente em cadência aparente esta sequência dualitária.

(Parece-me que digo tudo e não digo nada, agora fiquei atrapalhado...)

Reparo nas incontáveis possíveis combinações para a formulação de uma não menos inconveniente resposta, por excesso ou por defeito.

Sem complicar muito, fiz este exercício... que em nada quer explicar em especial, ainda assim:

Excesso:
Rosas rubras de Maio
Searas embrionárias
Sol e luz
Giestas, cardos, estevas
Sol e lua no céu
Granito e basalto
Razão presente

Defeito:
caules em rebentação?
espigas e pão?
aves de migração?
astros caídos no chão?
areias varridas pelo suão?
poligamia de coração?

E daqui concluí, para mim, agradecendo este magnífico desafio,

O excesso é afirmação, o defeito uma dúvida.

E daqui partiríamos para mais e mais...

Minha querida amiga, espero não ter sido excessivo :), ainda assim creia que a magia do pulsar desta dúvida é enorme e nela o desafio para não remediar.

Agradeço-lhe imenso, imenso, a forma como tem vindo - roubando algum do seu tempo - tão carinhosamente deixar o aroma das suas palavras, num espaço de tão marcado contraste. O meu profundo obrigado Marta.

Agradecer-lhe-ia de outra forma se assim fosse possível, mas esta manifestação de apreço aqui expressa é desde já um reconhecimento pela minha parte, da mais-valia que a Marta nutre pela sua escrita e do meu apreço ao lê-la.

Eu tinha razão quando disse que a Lua tinha dona, é a Marta no mar da tranquilidade dos seus versos.

Que não lhe pareça excessivo o meu agradecimento. É esse o meu defeito :)

Espero ver os seus escritos em livro.

Bem haja!

Brisa em ti disse...

Marta querida, sou uma Brisa distraída...já não sei que prémio me atribuíste e peço desculpa por só hoje me decidir a colocá-lo.

Agradeço sempre os teus sopros de carinho e sabedoria.

Um bem-haja para ti, de coração.

Ah, e sobre a questão da dúvida, nada como seguir a intuição, no recolhimento do tempo e na redescberta do nosso espaço; sendo o equilíbrio o meio-termo entre o excesso e o defeito.