sábado, 24 de outubro de 2009

VERDE

foto MV

Sempre as palavras a viverem dentro da cerca
quase secas, quase esquecidas

Pedem aos dedos que as exortem
a desbravarem-se em colinas de afecto

Aspiram libertar odores da lua
inflamar o ar em que se propagam
desvendar o mistério dos passos com que dançam

Mas o seu perfume fica sempre inatingível

Se as palavras não soletrassem na gaguez
se fossem capazes de tocar a tua alma
o verde em mim funcionaria

MV


11 comentários:

Sonia Schmorantz disse...

Lindo Marta, criativo, original, lindo mesmo!
beijos, bom domingo

ParadoXos disse...

"Se as palavras não soletrassem na gaguez
se fossem capazes de tocar a tua alma
o verde em mim funcionaria"

esta é daquelas que gostaria de ter sido eu a dar à luz. mas ainda bem que existes, assim, tão bela!


beijos em ti!

MPereira disse...

Com a palavra se desbrava o verso e se constroem poemas belos e plenos de força
O verde funcionou


Beijos

Um Olhar disse...

É a Liberdade da Poesia...Tu sabes como lhe dar cor e asas.

Beijo
Fatima

poematar disse...

Sim, as palavras posuem um perfume próprio, muito peculiar e somos nós os artesãos desse perfume. A Formação está quase no final da fase de arranque. Tem sido terrível:desistências, entradas e a eu a ver, pois tudo é possível, assim como as consequência disso - bloqueios na dinâmica da acção. Tenho que me aguentar. Um abraço.

O Profeta disse...

Parei na viagem de rumo e estrelas
Sentei-me à beira de uma lagoa sussurrante
Um Milhafre fitou-me zombeteiro
Hesitei na procura do adiante

Na ilha há sempre uma criatura em vigília
Há sempre um feiticeiro vento
Há sempre uma flor que a alma seduz
Há sempre no acontece um mágico momento




Doce beijo

poematar disse...

Já estava com saudade de ver finais de poemas como este: "Se as palavras não soletrassem na gaguez/
se fossem capazes de tocar a tua alma/ o verde em mim funcionaria".
Tudo de bom.

Nuno G. disse...

o verde aqui, funciona! simplesmente belo!

(convido-te para o lancamento do meu livro dia 6 de Novembro, no Porto, 18 horas, Espaco Imerge (R. Santa Catarina,777)

BC disse...

Amiga M/R, palavras são sempre palavras, verdes, amarelas, brancas, lilazes,temos que as sentir todos os dias, as que dizemos e as que nos dizem, mas de preferência sempre coloridas.
Beijinhos e BFS
Isabel

☆Fanny☆ disse...

Sempre as palavras que nos movem num ímpeto sem freio. São elas que nos fazem mover os dedos num abraço de sentimentos.

Adorei o teu poema!!! Original! Cativante!

Um beijinho
Fanny

utopia das palavras disse...

eu respirei...o verde do teu poema!

e ...fiquei no prado!

Um beijo