domingo, 24 de outubro de 2010

SEM TÍTULO (V)


No lugar onde o vento pára
acalmam os olhos rasos de tempestade.
Imobilizam-se os poros da terra
repousa o cardo,
a urze, a esteva.
O dorso do rio prende a canção nocturna
enquanto a lua suspende a respiração.
Nas estrelas o estremecimento pára
e as aves recolhem o voar.
Do céu um silêncio parido
abençoa a terra sem o mais leve movimento.
Ela é a única que se eleva
para não se afogar na virgindade do silêncio.


MV

7 comentários:

Paulo Tuba disse...

Poema livre equilibrado, com o poético vazado na medida certa, prezei ler, pela adição e inspiração das palavras e nomeação precisa. Vou seguir seu blog. Minhas saudações, Paulo.

Tatiana disse...

A riqueza de seus poemas me impressiona.
Que a sua semana seja rica em momentos de muita felicidade.
Beijos com o meu carinho

mundo azul disse...

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...bonito, bonito, bonito!

Nem sei por que, fazia tempo que não vinha aqui...


Beijos de luz e o meu carinho!!!

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A.S. disse...

Marta...

Um poema reflexivo...
Por vezes precisamos que tudo se imobilize, para que surja na plenitude a verdadeira essência da vida!


Beijos!
AL

Anónimo disse...

Uma bela presença da natureza neste teu poema, no qual a terra é valorizada como um bem que "se eleva" no "silêncio virgem" - verso enigmático encerrando o poema, interpelando o leitor. Bom fim-de-semana.

Vieira Calado disse...

Bem bonito,

este seu poema!

saudações poéticas

Nilson Barcelli disse...

"Ela é a única que se eleva
para não se afogar
na virgindade do silêncio."
Marta, querida amiga, a tua poesia é magnífica. Gosto imenso da forma como escreves.
Beijonhos...