quarta-feira, 16 de março de 2011

O MEDO NÃO DEIXA VIVER


Deixa sair das nuvens uma água
que te molhe a pele
e te abra os poros
para que deles saiam remorsos
do que ainda nem sequer fizeste.

Deixa passar a água do mar
sobretudo se ela vier em ondas
para te levar as incertezas
do que pode ou não acontecer amanhã.

Deixa atear o lume
e permite-lhe que queime o lacre do preconceito
que te fecha o coração.
O coração quer-se solto que nem ave de campo.

Deixa escancarar as portas da mansão
onde  te habituaste a cristalizar  receios
que te atacam, tal garras de fera.

Deixa rebolar nos seios
o desejo do beijo, da carícia, da língua.
Fecha os olhos se não queres ver,
mas deixa.

Deixa que o óbvio se torne não óbvio,
se isto ou aquilo ainda não aconteceu.

Deixa que tudo isto aconteça
e deixa que aconteça muito mais.

Deixa-te levar no voo do pardal,
mesmo que te canses
mesmo que adormeças.
O pardal voa sem medo
mesmo que tenha de suspender o  voo
ao aviso do espanta-pardais.
Acredita, será fugaz esse momento.

É que o medo não deixa viver.

MV

17 comentários:

A.S. disse...

"Deixe rebolar nos seios
o desejo do beijo, da carícia, da língua.
Fecha os olhos se não queres ver,
mas deixa."


Belo... muito belo!

Beijos, querida!
AL

Teresa disse...

Quanta beleza e sensualidade minha amiga!

Gosto desta lua inspirada e clara.

Sem Medo, Perseguindo Um Final Feliz!

Beijinhos.

GUI disse...

Como se se tratasse de uma "virgindade"...
Muita doçura neste "O medo não deixa viver".
Bjo. Gui.

Secreta disse...

O medo condiciona-nos, sem dúvida! Cabe a nós contorná-lo :)

tecas disse...

Belíssimo poema! Sensual e terno como uma carícia.
Bonita lua te inspirou...neste caso...sem medo.
Excelente.
Bjito amigo e uma flor

Manuela Fonseca Amaral disse...

O medo nunca deixa alcançar
O medo nunca nos deixa avançar
A andorinha sabe o caminho do sol
Porque não tem medo de lá chegar...

Sem medo, te digo que este poema me apetece roubar :)

Beijinhos ternos.

Manuela Fonseca Amaral disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
José Marinho disse...

Um belíssimo poema, muito bem construído; como sempre um óptimo e oportuno fecho do poema - há por aí muito medo. Abraço.

Armando Sena disse...

Belo, sentido e sensual.
Porquê medo? Parece-me mais uma mensagem, e muito forte, de coragem.
Posso usar o link?

Cumprimentos Marta.

Secreta disse...

Passei para uma visita :)
Beijito.

Daniela Valente disse...

Amei!
te sigo sem medo e vivendo!!!
bjkas

maria jose disse...

tro"Deixa atear o lume
e permite-lhe que queime o lacre do preconceito
que te fecha o coração.
O coração quer-se solto que nem ave de campo."
Que maravilha...era muito bom que esse lacre se queimasse...
Beijinho

Rosinha disse...

Muito bonito e censual, adorei beijinhos!

Nilson Barcelli disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Nilson Barcelli disse...

Tens razão, o medo não deixa mesmo viver.
O teu poema, para além de ser excelente na forma, deixa-nos uns quantos conselhos para a vida no conteúdo.
Parabéns pelo talento que a cada poema revelas.
Beijinhos.

Nilson Barcelli disse...

Marta, tens o endereço do e-mail no meu perfil.
Beijos.

Mel Almeida disse...

É que o medo não deixa viver.
sem dúvida...
parabéns