segunda-feira, 27 de abril de 2009

INVENTA-SE



Com o olhar no abalar das andorinhas
tacteiam-se lamentos na pele.

Em cada ruga sulcada pela idade
inventam-se nascentes de palavras
a correr no viço da lisura desejada.

Na cintura já talhada fora das medidas
inventam-se colares de missangas coloridas.

No olhar perturbado por sonhos inacabados
improvisam-se estrelas que dançam deslumbradas.

No útero morto à vida
inventa-se um cálice de vitalidade.

Dos seios descaídos pelas mãos do tempo
inventa-se o viço de rosas em botão.

Das nádegas, de firmeza já corroída
inventa-se o fulgor de montanhas plantadas.

Na pele enrijecida pela vida
inventam-se poros de paixão incontida.

Hoje, sentindo o viço a exilar
as mãos escrevem saudades
num novo dicionário do olhar.


MV


21 comentários:

Mari disse...

Que lindo!
Passei aqui pra te desejar um aótima semana!
Um abraço!

Artista Maldito disse...

Olá Martita

Venho em maratona deixar-te um selinho, melhor, é mais chique, um AWARD!

Está lá no meu canto.

Volto para comentar o poema.

Beijinhos e bom início de semana
Isabel

BC disse...

Amei este poema, com uma realidade fantástica do que é no fundo não o envelhecer mas os dias a passarem!!!
Beijinhos
Isabel

Tatiana disse...

Sublime!
A beleza das palavras dão lugar a emoção!
Uma bela semana para o seu rico coração!

Beijos

Sonia Schmorantz disse...

Há dias não via você postar, achei original a imagem, esta primavera também vai te encher de flores...
beijos

poematar disse...

Sem palavras; ou melhor, a esperança-firmeza, a alegria, a vitalidade de "poros de paixão incontida". Um hino. Excelente escolha de imagem; um achado. Posso dizer-te uma coisa?... Escreves tão bem que as palavras deveriam vir primeiro - antes das imagens; e tu amas as palavras-sentidas que escreves. Um abraço e uma boa semana. PS- Não achas que o Poema Colectivo funciona como está, sem mais elaboração; penso que só precisa de pequenas coisas -não quero desvirtuar as palavras de quem escreveu.

Tentativas Poemáticas disse...

Olá POETISA
Encanto-me sempre que a visito.
Ontem publiquei mas sem sucesso. Depois fiz uma experiência para perceber qual a origem do erro. Daí ter ficado gravado o "rebeubéu". Nunca me tinha acontecido. As minhas desculpas e o meu obrigado por me haver chamado à atenção.
Muitos beijinhos com ternura.
António

neide disse...

Lindo poema.

Tenha uma semana iluminada.

Bjsss

BC disse...

Vim eu fazer a visita de um Bom dia,para ti Marta e beijinhos
Isabel

A Flor do Sul disse...

"Dos seios descaídos pelas mãos do tempo
inventa-se o viço de rosas em botão."

Pois que de rosas peciso eu e precisas tu.
de rosas necessitam os espíritos de todos nós.

E se morta estiver a rosa de nossos sonhos,
Em devaneios vamos colher rossas inventadas.

poematar disse...

A ideia é essa, Marta, publicar no dia 1 ou 2; claro que as datas são inseparáveis. Vou ver se a 1; ando cheio de trabalho e cansado. Comemorei 0 25 a trabalhar, deixando no blogue uma edição "especial". Um beijo.

Daniel Costa disse...

Imagens poéticamente bem conseguidas, num aceitar realidades, porque na verdade irão sempre acontecer, quando se entra no ocaso da vida.
Daniel

utopia das palavras disse...

Exaltação da vida, apesar da erosão do tempo!
Gostei imenso!

Um beijo

FERNANDA & POEMAS disse...

QUERIDA MARTA, BELA POESIA... ADOREI!!!
BEIJINHOS DE CARINHO,
FERNANDINHA

João Videira Santos disse...

"as mãos escrevem saudades
num novo dicionário do olhar."

...se "isto" não é bonito, pergunto: O que é bonito?

Beijo

Tatiana disse...

Marta...
Vim apreciar novamente e aproveitar para lhe desejar um belo feriado e um fim de semana maravilhoso!

Beijos com meu carinho

Nuno G. disse...

lindo marta!!! lindo inventar que criaste...

(www.minha-gaveta.blogspot.com)

Sonia Schmorantz disse...

Lindo poema, destaco seu final:
Hoje, sentindo o viço a exilar
as mãos escrevem saudades
num novo dicionário do olhar...
Beijos e lindo final de semana!

UMA PAGINA PARA DOIS disse...

O mar me ultrapassa.
Mas ondas haverão de contar
Aos ouvidos que lá pousarem
Que um dia sonhei no mar.

O céu não vai se importar
Quando eu monge de meu hábito partir.
Mas estrelas enquanto restarem
Hão de lembrar
Que um dia me puseram feliz.

A terra , é fato, há de me subtrair.
Mas a árvore que me deitou raiz
E as cores
Que em meu tempo colhi
Estas eu levo comigo
Ninguém há de tirá-las de mim.

Fernando Campanella

Desejo um lindo final de semana com muito amor e carinho
Abraços Eduardo Poisl

A.S. disse...

Lua...

A fruta madura tem sempre um sabor mais doce!...
Na enseada do tempo
repousam ainda todas as aventuras!


Ternos beijos...

ARTISTA MALDITO disse...

Olá Martita

Depois de ter estado um bocadinho ausente, volto para comentar.

Quando se inventa no dobrar da Primavera, colhe-se no sabor das cores apelativas do tempo o prazer de viver, o prazer de voltar a amar.

Beijinhos
Isabel