Assim viver
entre sol e sombra
é como acordar
e ver com olhos nublados
o voo dos pássaros.
Assim viver
é humilhar o acordar de cada dia.
É ter uma mão a refrescar-se no rio
e a outra a queimar-se em brasas de carvão.
É acto de cobardia
suspender assim as mãos do destino
sabendo que ele pode ser quartzo,
pássaro,
onda calma,
estrela de olhos a sorrir
ou
pedra fria,
víbora,
charco de lama.
Decide, que as indecisões perfuram o peito.
Escolhe a sombra
e vive em escombros deixados pela saudade.
Ou escolhe o sol
e sonha enquanto um único raio brilhar.
Ou não escolhas
e vegeta.
MV

