segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

EMPRÉSTIMO


Escapou-se-me o lápis dos dedos
em escorregadela mansinha
Deslizou para a frente e para trás
deixando um labirinto de pontinhos
Azuis
Verdes
Castanhos
De cores que eu não conhecia
Os olhos abriram-se muito fundo
para além do que viam
Os pontinhos piscaram
dançaram para cima e para baixo
para ali e para aqui
Ao cair da lua
ajeitaram-se certinhos
e num canto do papel escreveram
que quando a manhã se levanta
há sempre um pássaro
que empresta ao dia
um canto de alegria

MV

sábado, 19 de fevereiro de 2011

EM VÃO



A mão na testa a escorregar
a pender para o vazio do dia.
Os músculos fatigados
de tantas horas presos a quase nada.
O peito cansado dos Slims fumados
pés macerados de vagabundear
sobre acontecimentos ansiados.
Não valeu a pena acordar enrodilhada
em tão grande saudade
acocorar-me como louca
assim perdida no tempo.
Os olhos fecham-se
recusam-se a fazer Login
nos últimos instantes do dia.
Foi em vão o esforço programado
Foram retalhos tesourados
e a muito custo alinhavados.

MV

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

LUA DE MARFIM EDITORA

"A Lua de Marfim é uma editora jovem, fundada em Fevereiro de 2011, cujo objectivo principal é promover a leitura, juntando as componentes lúdicas e orientadoras do livro.
Somos uma editora generalista que também aposta em novos autores portugueses e de grandes ideias.
Queremos preparar o futuro com sustentabilidade, sem esquecer o passado e vivendo o presente com intensidade, inovação e dinamismo em busca de uma qualidade editorial crescente.  
Acreditamos no objectivo de satisfação das necessidades dos Leitores e dos Autores em Portugal e do Mundo, porque, para nós, não existem fronteiras. Existimos para criar!"


Eu acredio na Lua de Marfim e desejo ao editor grande sucesso.
http://luademarfimeditora.blogspot.com/

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quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

LÁGRIMAS


Lágrimas esfregam e lavam a dor
ou deixam húmida a saudade.
Matam a secura da boca.
Ou ilusão
se lhe deixam o gosto áspero a sal.
São companhia de gotas de orvalho
sobre folhas resgatada da vida.

Lágrimas são água que num instante
se branqueia em sorrisos,
se azula em abraços,
se acinzenta em palavras,
se opaca em silêncios,
se acastanha em tristezas.

Emigram dos olhos. Imigram no coração.
Viajam noite e dia em rotas migratórias
deixando o rasto da tinta
com que escrevem os cheiros da vida.

Lágrimas são a linguagem do coração.

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sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

SOBRE A MESA


Lápis de cristal
vagaroso
a colher palavras.
Borracha de seda
em recusa do risco apagar.
O rascunho do poema
sobre a mesa
ousa começar.

Marcas desamparadas
aconchegam-se na raiz do papel.

Sopram ventos que se cruzam
sem dependência das mãos.
As palavras rugem a fracturar-se
e o rascunho do poema
sobre a mesa
fica por acabar.

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sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

PALAVRAS À CHUVA


Por entre a chuva passam palavras
que ficam transparentes
e que espelham tudo o que me envolve.
Ou ficam negras e toscas
ofuscando o que sinto.
Quero pintá-las de branco
da cor da lua e da cal
mas o branco da paleta sumiu.
Pinto-as, então de lágrimas
e, aí, perdem a forma e o cheiro
esquecem-se do sonho
e tornam-se invisíveis
aos olhos pintados de nada
à espera do branco da paleta
da cor da lua e da cal.

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segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

PENSAMENTO IMPLACÁVEL

Dissequemos as ideias que percorrem o pensamento.
Esqueçamo-nos de recordações
que os pardais teimam em cantar no telhado.

Imprevisibilidade!
Escassos são os instrumentos de precisão
e a mão treme na hora da incisão.

Implacável é o pensamento.

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domingo, 2 de janeiro de 2011

INDECISÃO


Assim viver
entre sol e sombra
é como acordar
e ver com olhos nublados
o voo dos pássaros.

Assim viver
é humilhar o acordar de cada dia.
É ter uma mão a refrescar-se no rio
e a outra a queimar-se em brasas de carvão.

É acto de cobardia
suspender assim as mãos do destino
sabendo que ele pode ser quartzo,
pássaro,
onda calma,
estrela de olhos a sorrir
ou
pedra fria,
víbora,
charco de lama.

Decide, que as indecisões perfuram o peito.

Escolhe a sombra
e vive em escombros deixados pela saudade.
Ou escolhe o sol
e sonha enquanto um  único raio brilhar.

Ou não escolhas
e vegeta.

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terça-feira, 7 de dezembro de 2010

INCÓGNITA


Tempo
veloz
lento

De sabor a sal
a mel

De permeio
o prenúncio

a brisa
o tufão

Hoje
não sei

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sábado, 27 de novembro de 2010

VOCAÇÃO


Procuro a razão
de tão vincada vocação.

Escolho sempre vidros opacos
ou a margem do rio
onde não há multidão.

Modelo mil razões
e nenhuma me responde.
Uma encomenda recolhida à nascença
ou hábitos pespontados no tempo?

Das mil razões
que faço e desfaço
há-de haver uma
que me faz ser
coração tão isolado.

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