sexta-feira, 24 de outubro de 2008

O PRESENTE NÃO EXISTE


Alma encostada à sombra do tempo

num repouso de repasto amarelecido.

Contracções de dor e arremesso de pedras

em despedida do tempo que já passou.

Entrego o pensamento ao futuro

em infinitos ecos a rasgar a terra.

Que desça chuva intensa

e apague rastos do passado.

Que se dispa o frio

e se cubra de uma neblina de poeiras.

Que se acendam relâmpagos

em rasgos amnésicos cegando o passado.

Pouso as mãos no tempo que ainda não chegou

e empresto-lhes a voz em três versos:

O presente não existe!

Que venha o futuro!

Que venha o que havia antes do passado!


MV

5 comentários:

nas asas de um anjo disse...

e q tudo isso, represente um renascimento esplenderoso em amor, disipando a dor...bjs

Tentativas Poemáticas disse...

Olá Marta
Vou ser muito sincero (como sempre).
Felizmente tenho vindo a ganhar muita(o)s amiga(o)s na blogosfera. Acabamos por não poder dispensar a atenção, em tempo útil, às pessoas com quem nos vamos relacionando, por falta de tempo, e, por vezes mesmo, de disposição. É já madrugada, vou ordenando as respostas e as visitas.
Perdoe-me por isso, está bem?
A sua poesia é muito intensa, é preciso lê-la com muita atenção e obriga-nos, realmente, a reflectir muito. PARABÉNS.
Beijinhos com muita ternura.
António

Vieira Calado disse...

"Que venha o futuro!"
Sem dúvida. Seja ele como for.
Cumprimentos

mundo azul disse...

...quando estiver com futuro nas mãos, estará vivendo um presente...


Bonito poema, minha amiga!!!


Beijos de luz e um final de semana muito feliz!!!

f@ disse...

Na sombra do tempo encharcada da chuva que caiu ... a poeira e o cheiro a terra molhada revitaliza as raízes ... o futuro iluminado assim de relâmpagos sobre o mar...

Beijinhos das nuvens