segunda-feira, 27 de outubro de 2008

ADVERSIDADES


O Sol rompeu por entre as nuvens cinzentas

e as minhas lágrimas não secaram.


O poente do sol vestiu-se de framboesa

e a minha boca não se saciou.


Ofereceram-me pinturas em telas

só traziam paisagens vazias.


Caminhei nas vagas de um mar que cobicei

perderam-se-me os passos na espuma esbatida.


Sentei-me sob fios de lua ardente

apagou-se-me a luz do olhar.


Semeei o céu de rosas rubras

ficaram-me os espinhos nas mãos.


Desenhei palavras a régua e esquadro

os poemas não se formaram.


Sorri à vida em sorrisos largos,

ela devolveu-me lágrimas a fio.


Subi montanhas rumo ao céu

o vento arrastou-me para o sopé.


Teci o teu nome com fios de seda

devolveste-me letras de chita.


Mergulhei em conchas secretas

estavam vazias de pérolas.


Tocaram os sinos em dias de festa

ecoaram-me dobres em gemido.


Deitei as tuas palavras juntas às minhas

adormeceram sempre separadas.


Agarro, de punhos fechados, a amizade

junto-a à força da vida

e venço, assim, tanta adversidade!


MV

6 comentários:

nas asas de um anjo disse...

está fantástico este poema - profundo, reflexivo, explícito na lado+negativo q é o termos de superar as adversidades p sermos felizes...boa sorte!bjs luz e paz

Vieira Calado disse...

É assim!
Com a força é que se vence.

Bjs

Ao Sabor da Poesia disse...

Olá Marta

Que poema maravilhoso...
encanta em cada verso é
como se você tivesse colocado
magia e mistério para o garimparmos
até além das linhas...Parabéns!

Beijinhos

impulsos disse...

A moeda tem sempre duas faces...
O mal está em esperar demais, em elevar as expectativas...

O poema está fantástico, parabéns!

Beijo

Tentativas Poemáticas disse...

Olá marta
Muito obrigado por me visitar. Perdoe se só agora lhe retribuo a visita. Não tem publicado. Desejo que esteja tudo bem consigo.
Beijinho com ternura.
António

Delfim peixoto disse...

fantástico! Cheio de força e determinação