quarta-feira, 30 de julho de 2008

ESCADAS DE LINHAS

As linhas do meu caderno são escadas.
Começo a descê-las devagar,
sorvo o cheiro da madeira,
inebrio-me nas rectidão azul dessas linhas.
Começo a sentir-me cansada
latejam-me as têmporas
sento-me na linha vinte e um
deixo o corpo descansar.
Guardo nos olhos o que já tive de escalar
neste tempo fugaz que me habitou,
lembro os riscos que me entretive a traçar
neste tempo sem tempo
onde a penumbra se instalou.
Desço mais algumas linhas.
Cambaleio em ondas difusas
oiço as escadas a ranger
oiço os queixumes da linha vinte e um
com tanto por preencher!

MV

2 comentários:

Paulo Afonso Ramos disse...

sejam linhas ou escadas nesse caderno da vida, em que umas vezes se sobe e outras se desce...
umas vezes se ri e outras chora-se, mas é assim que a vida acontece.

abraço

mundo azul disse...

... por vezes é assim, mesmo!
Mas, passado o cansaço é ir em frente...Preencher todas as linhas e com a maior satisfação!

Beijos de luz...