terça-feira, 19 de agosto de 2008

ASAS DE SEDA


Nasceram-me asas de seda

no coração e no pensamento.

Com elas

acreditei que a pedra da calçada

podia ser quartzo.

Acreditei que o asfalto no Verão

podia ser fogo dentro do meu peito.

Acreditei que o meu amuleto

podia ser um segredo falado.

Acreditei que a luz desmascarada da lua

podia ser o meu cálido palácio.

Acreditei que o ar sereno das noites

podia ser a espiral aberta dos meus anseios.

Acreditei que as letras das palavras deitadas na mudez

podiam ser a volúpia do meu corpo.

Acreditei que as estrelas

se podiam vestir com fios de verdade.

Acreditei, quando voava, mas sem certeza,

que um dia podia ser princesa.


MV

1 comentário:

Paulo Afonso Ramos disse...

Lindo!
Acreditar é preciso. E acontece!
O poema é excelente.
Abraço