quarta-feira, 6 de agosto de 2008

PERCORRO-ME

Percorro-me por carris de ferro infindos
nesta luta inócua de sentimentos sem freio
sob um tecto de palavras semeadas ao vento
sobre um chão de terra atolada de pântanos.
Às vezes fundeio no colo do limo cinzento
ou na grafia agreste de palavras apedrejadas
às vezes ergo-me no repenicar sinfónico de um sino
ou na morfologia da gramática sem forma.
E assim neste tempo sem tempo
onde as horas não assomam
continuo a percorrer carris de ferro sem fim
à espera de matar o meu percorrer.

MV

2 comentários:

daniel disse...

Maeta Vasil

A inagem do tempo sem sempo e tudo o que precisa, para concrezar aspirações.
Leitura agradável!...
Daniel

Manuela Fonseca disse...

Obrigado pela visita à minha casinha e cá estou a retribuir com carinho.

Um texto que nos fala do tempo de um tempo que se move à velocidade adquirida em cada passo do próprio tempo que nos atinge... Gostei bastante de ler!

Beijinhos*