segunda-feira, 11 de agosto de 2008

HOJE É URGENTE

Hoje é urgente

arremessar na noite palavras ao vento

rasgar a roupa que as asfixia

perfurar e apedrejar este fio de tempo.

Hoje é urgente

gritar letras e palavras adiadas

a envelhecerem ao meu lado

sem freio, pelas rugas já talhadas.

Hoje é urgente

deixar a caneta errar ao relento

pegar nas letras que gotejam

nesta voz matizada de cinzento.

Hoje é urgente

soltar palavras neste ar constelado

deixá-las partir à bolina

libertar este grito de gemido apertado.

Hoje é urgente

gritar palavras ao vento

e talvez a lua traduza este grito

e me devolva pela manhã

uma cerimónia de palavras em rebento.


MV

2 comentários:

Paulo Afonso Ramos disse...

hoje é urgente... dizer que gosto do que escreve, gosto, muito!
Abraço

Martim disse...

grande poema...faz-me lembrar um poema de manuel alegre....muito bom o poema e podes voltar sempre que quiseres, o prazer dos teus comentarios é meu:)
beijos***